DOENÇAS INFECCIOSAS 


O que é saúde

Segundo a OMS, é um estado de completo bem-estar físico, psíquico e social, e não apenas a ausência de doenças.

O que é doença

 É o desequilíbrio entre o agente, o hospedeiro e o meio ambiente, levando a uma modificação do estado fisiológico tido como normal. A doença ocorre quando a infecção resulta em qualquer alteração de um estado de saúde.

O que é infecção

A infecção é a invasão ou colonização do corpo por microorganismos patogênicos. A presença de um tipo particular de microorganismo em uma parte do corpo onde ele não é encontrado normalmente, também é denominada uma infecção, e pode levar à doença.

História natural da doença

A história natural da doença é o nome dado ao conjunto de processos interativos compreendendo "a inter-relações do agente e do meio ambiente que afetam o processo global e seu desenvolvimento, desde as primeiras forças que criam o estímulo patológico no meio ambiente, ou em qualquer outro lugar, passando pela resposta do homem ao estímulo, até às alterações que levam a um defeito, invalidez, recuperação ou morte".

Desenvolve-se em dois períodos seqüenciais. O período epidemiológico ou pré-patogênese cujo interesse é dirigido para as relações suscetível-ambiente, e o período patológico ou patogênese cujo interesse são as modificações que se passam no organismo.

Período pré-patogênese: é o momento da ruptura do equilíbrio, envolve as inter-relações entre os agentes etiológicos da doença, o suscetível e outros fatores ambientais que estimulam o desenvolvimento da enfermidade e as condições sócio-econômico-culturais que permitam a existência desses fatores.  Esse período se compõe dos seguintes fatores:

Fatores sociais:

Fatores ambientais:

Período de patogênese: é o momento da evolução do processo de saúde-doença no interior do indivíduo afetando sua fisiologia. Seguem-se as perturbações bioquímicas em nível celular, continuam com as perturbações na forma  e na função, evoluindo para defeitos permanentes, cronicidade, morte ou cura.

Causas das doenças

Segundo as causas, as doenças dividem-se em:

Gravidade ou duração

Um dos meios de definir a abrangência de uma doença é em termos de sua gravidade ou duração. Essa gravidade pose ser expressa em quatros tipos:

Doenças infecciosas

Doenças infecciosas são aquelas causadas por seres vivos estranhos ao organismo humano. Para que determinado  microorganismo desencadeie uma doença infecciosa é preciso que haja várias condições. Em primeiro lugar, deve ser contagioso e poder deslocar-se  de um hospedeiro (pessoa ou animal que sofra da doença) para outro; em segundo lugar, deve penetrar no organismo e invadi-lo.

Doenças transmissíveis

Segundo a OMS - Organização Mundial de Saúde, doença transmissível: é aquela determinada por agente infeccioso específico ou por produtos metabólicos, e que resulta da transmissão desse agente ou de seus produtos, de um reservatório para um hospedeiro susceptível, de forma direta ou indireta. Isto é, por meio de portadores ou por meio de veículos (fômites, vetores biológicos ou substâncias) contaminados.

Doenças contagiosas

Doenças contagiosas são as moléstias infecciosas transmitidas pelo contato direto entre doente e indivíduo são. Geralmente são transmitidas por gotículas de saliva (perdigotos), contato com secreções e descamações da pele, contato sexual, pelo sangue, ou através de veículos (vetores) os mais variados: água, alimentos contaminados e até insetos e moluscos. 

Agente infeccioso ou etiológico

Os agentes causadores de doenças infecciosas têm uma série de propriedades que os caracterizam e diferenciam entre si, entre eles temos: os vírus, riquétsias, bactérias, fungos, protozoários, vermes e alguns artrópodes.  Porém, embora sejam diferentes e evoluam de formas diversas, todas as doenças infecciosas apresentam características fundamentais comuns. Por exemplo, todas elas são provocadas por germes capazes de se multiplicarem e de produzirem substâncias chamadas toxinas, que, quando atacam o organismo, atuam como antígenos ou corpos estranhos, despertando o sistema imunológico e dando lugar à  formação de uma série de defesas, chamadas anticorpos, que tentam lutar contra a doença.

Vírus

Os vírus são organismos acelulares, de estrutura extremamente simples, que só se reproduzem no interior de células de animais, vegetais e até de bactérias. Cada unidade ou partícula infecciosa de um vírus é chamada vírion. Tais partículas são basicamente formadas por um pedaço de ácido nucléico (DNA ou RNA), envolvido por uma capa protéica.  As células invadidas pelos vírus, uma vez infectadas, alteram seu metabolismo, passam a produzir novas moléculas do ácido nucléico do vírus, e acabam morrendo. Em infecções virais, normalmente é apenas o ácido nucléico que penetra no interior da célula hospedeira, sendo a capa deixada de fora. O DNA viral, após a penetração, se duplica várias vezes e fabrica RNA mensageiro que sintetiza as proteínas das novas capas. Quando se trata de vírus de RNA, o próprio RNA se comporta como material genético, não só se duplicando como também fabricando RNA mensageiro. A duplicação do RNA de um vírus implica a produção de um RNA complementar,   que será em seguida usado para a produção de várias moléculas de RNA viral. 

Em determinadas variedades de vírus relacionados a certos tipos de câncer, constatou-se que o RNA viral a capaz de fabricar DNA na célula hospedeira. Isso também ocorre com o vírus da AIDS. Os vírus são causadores de graves doenças que afetam de maneira específica as células de determinados tecidos ou órgãos. Dessa forma, a varíola, o herpes, o sarampo e a varicela (ou catapora) ocorrem por invasão de vírus em células da pele e/ou das mucosas; a poliomielite, algumas encefalites e a hidrofobia (raiva) são causadas por vírus que  parasitam as células do tecido nervoso. Na hepatite infecciosa, os vírus se alojam nas células hepáticas; na caxumba, nas glândulas salivares; e na AIDS, nos leucócitos do tipo linfócitos.

Os vírus  são organismos mais simples que se conhece, ainda assim, parecem ter se originado de células que perderam suas capacidades metabólicas e degeneram, passando a depender obrigatoriamente de uma vida parasitária, intracelular.

Retrovírus

É um vírus cujo código genético é transmitido por uma molécula do tipo ARN, ou seja, o retrovírus transporta o seu código genético em moléculas de ARN. Normalmente, essas moléculas não são capazes de se inserir no código genético das células humanas, pois este código se encontra em moléculas do tipo ADN.  Para que possa haver essa inserção, faz-se necessária a transformação do código  viral de ARN para ADN, que é feita através de uma enzima, chamada Transcriptidase Reverse (TR), característica deste tipo de vírus. Após a transformação, a inclusão do material genético do vírus nas células humanas, torna-se possível. Desta forma, o vírus permanecerá definitivamente no interior do núcleo celular, local onde se encontram os cromossomos, e  utilizará todas as enzimas e outras proteínas produzidas  pela célula, como matéria-prima para a produção das proteínas necessárias a sua sobrevivência. Assim, se multiplicará com a duplicação da própria célula que o  hospeda.

Toxemia

Em sentido estrito, emprega-se o termo toxemia para designar a síndrome determinada pela ação de produtos bacterianos, toxinas,  sobre o organismo do hospedeiro. Diagnosticam-se outros tipos de toxemia, não relacionados com o efeito de produtos bacterianos: a toxemia da gravidez, por exemplo, deve-se a múltiplas e complexas alterações, fundamentalmente metabólicas, que podem desenvolver-se no decorrer da gestação. O estado toxêmico, ou toxemia é definido por vários sintomas e sinais, que  variam conforme a doença e o estado de saúde do paciente afetado.

Síndrome

Um gripo específico de sintomas ou sinais pode acompanhar sempre uma determinada doença; esse grupo é denominado uma síndrome. A síndrome também pode ser definida como sinais e sintomas característicos de uma determinada doença.

Patogenia

O estudo da patogenia tem por objetivo mostrar e identificar as lesões que os agentes etiológicos podem provocar no organismo.

A patologia está relacionada em primeiro lugar com a causa, ou etiologia, da doença. Em segundo lugar, trata da patogênese, a forma com que a doença se desenvolve. Em terceiro, a patologia está relacionada com as alterações estruturais e funcionais desencadeadas pela doença e seus efeitos finais no corpo.

Incidência

A incidência de uma doença é a fração de uma população que a desenvolve durante um determinado período de tempo específico. É um indicativo da disseminação da doença.

Prevalência

A prevalência de uma doença é o número de pessoas que desenvolve a doença em um tempo especificado, sem levar em consideração quando ela surgiu. A prevalência leva em conta os casos novos e os antigos. É um indicativo da seriedade e do tempo que a doença afeta a população.  Sabendo a incidência e a prevalência de uma doença em diferentes populações, os cientistas e pesquisadores podem estimar a variação da ocorrência da doença e sua tendência a afetar alguns grupos de pessoas mais do que outros.

Freqüência

A freqüência de ocorrência é um critério usado na classificação das doenças. Se uma doença em particular ocorre apenas ocasionalmente, é denominada esporádica. Uma doença constantemente presente em uma população é denominada endêmica, como o resfriado comum. Se muitas pessoas em uma dada área, adquirem uma certa doença em um período relativamente curo, ela é denominada epidêmica. Uma doença epidêmica que ocorre em todo o mundo é denominada pandêmica.

Via de entrada

Os germes podem penetrar no organismo através de diversas vias:  a via respiratória, pela inalação das gotículas de saliva expelidas ao falar ou ao tossir, no caso de pessoas portadoras de germes; a via digestiva, pela ingestão de alimentos contaminados ou de germes presentes nas mãos sujas; a via circulatória, através das mordidas ou picadas de insetos ou pela aplicação de injeções ou transfusões que ponham o material infeccioso diretamente em contato com o sangue; e a via cutânea, com a penetração dos germes através da pele machucada ou normal.

Em algumas doenças infecciosas, as bactérias, a partir da porta de entrada ou local por onde penetram no organismo, invadem o sangue  e circulam por ele, e deste momento, disseminam a doença. Em outras ocasiões, como no caso de tétano, as bactérias permanecem sempre localizadas na porta de entrada (por exemplo, uma ferida) e ali produzem as toxinas que passam ao interior do organismo e provocam a doença.  Mesmo quando respiramos, comemos ou bebemos, o organismo entra em contato com grande quantidade de micróbios apesar de apenas em algumas ocasiões contrairmos doenças infecciosas. Isto se dá graças ao fato de, na maioria das vezes, os dispositivos de defesa impedirem a penetração dos germes patogênicos ou os destruírem, depois que ele tenham penetrado.

Entre os mecanismos de defesa com que conta o organismo, encontram-se os fatores de proteção mecânicos e os químicos. Assim, por exemplo, a pele está recoberta pelo manto ácido, que a torna menos vulnerável aos germes; a presença na secreção nasal e na saliva de enzimas chamadas lisózimas, também permitem destruir alguns germes. Em algumas ocasiões os germes penetram no organismo e resistem a todos os mecanismos de defesa que começam a agir, multiplicando-se e vivendo no organismo sem produzir nenhum tipo de doença. Os organismos onde isso ocorre são chamados de portadores de germes. Estas pessoas não sofrem transtornos de qualquer tipo, mas contudo, transmitem a doença a outras pessoas. 

Período de Incubação

Período de incubação é o intervalo de tempo entre a infecção inicial e o surgimento dos primeiros sinais ou sintomas da doença.  O tempo de incubação depende do microorganismo específico envolvido, de sua virulência (grau de patogenicidade), do número de microorganismos infectantes e da resistência do hospedeiro, As vezes, o agente infeccioso atua unicamente sobre uma determinada área. Nesses casos, não se pode falar em doença infecciosa, já que esta consiste num processo generalizado, ou seja, que alcance todo o organismo. Na evolução de toda doença infecciosa distinguem-se vários períodos. O primeiro é chamado de período de incubação, que pode durar desde um dia (como em alguns casos de cólera asiática) até dois meses (como em determinados casos de raiva);  em muitas ocasiões, ao longo deste período, não surge nenhum sintoma da enfermidade.  

Período prodrômico

O período prodrômico é um período relativamente curto que ocorre após o período de incubação em algumas doenças. O período prodrômico  se caracteriza por sintomas iniciais leves de doença, como dores e mal-estar geral.

Período de estado ou de doença

O período de estado ou de enfermidade propriamente dita, também conhecido por pródromos, quando se manifestam todos os sintomas e sinais próprios de cada doença. Durante o período de estado ou doença , ela é mais aguda.

Período de declínio

Durante o período de declínio, os sinais e sintomas cedem.  Durante essa fase, que pode durar de menos de 24 horas a vários dias, o paciente é vulnerável a infecções secundárias.

Período de Convalescença

Este período se caracteriza pela diminuição progressiva de  todos os sinais e sintomas, até que se dá a cura. Em muitas doenças o período de convalescença ocorre devido ao tratamento a que se submeteu o doente, em outras situações o período de convalescença ocorre  sem a necessidade de tratamento,  a evolução clínica da doença acontece sem interferência medicamentosa. Temos como exemplo o sarampo,  como uma doença que tem todos os períodos normais de evolução clínica, até chegar ao período de convalescença sem a necessidade de tratamento. ou de algum outro tipo de intervenção, logicamente quando acontece as complicações ou quando o indivíduo apresenta-se com a imunidade baixa é necessário um tratamento sintomático.

Reservatório

Para uma doença se perpetuar, deve haver uma fonte contínua de organismos da doença. Essa fonte pode ser um organismo vivo ou um objeto inanimado que fornece ao patógeno condições adequadas para sobreviver e se multiplicar, e uma oportunidade de transmissão. Essa fonte é denominada reservatório de infecção. Esses reservatórios podem ser humanos, animais ou inanimados.

Transmissão

Em algumas doenças infecciosas, os germes são transmitidos através de diversos animais (vetores), especialmente insetos. São muito importantes como agentes transmissores os insetos sugadores de sangue (mosquitos, piolhos, percevejos), que ao picarem pessoas ou animais doentes, ingerem diversos germes e os mantêm como hospedeiros intermediários, inoculando-os em outras pessoas.

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas gerais das enfermidade infecciosas incluem diversos sinais e sintomas comuns a todas elas. Um dos mais constantes sintomas é a febre (embora nem sempre signifique infecção). Outros sintomas comuns são a sensação de abatimento (astenia) por parte da própria pessoa, de estar realmente doente, dores de cabeça (cefaléia), dores articulares (artralgias), aumento do ritmo cardíaco (taquicardia) e perda de apetite.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico de uma doença é feito pela avaliação dos sinais e sintomas, junto com o resultado dos exames laboratoriais. Para o diagnóstico e tratamento das doenças infecciosas é preciso que, quando se observarem as manifestações clínicas, é necessário descobrir o agente infeccioso a fim de se poder aplicar  as medidas terapêuticas mais adequadas, assim como aumentar as defesas do organismo e combater os sintomas e possíveis complicações que possam apresentar. A grande maioria das doenças causadas por bactérias, pode hoje ser controlada e curada por sulfas e antibióticos. Todavia, para a maioria das doenças causadas por vírus não se dispõe ainda de drogas específicas e eficazes.

Isolamento

É a separação de indivíduos atacados por uma doença transmissível, ou portadores de germes específicos, na intenção de evitar a sua convivência com outras pessoas.

Profilaxia

É o conjunto de medidas que tem por finalidade prevenir ou atenuar as doenças, suas complicações e conseqüências.

Prevenção:

Para muitas moléstias infecciosas, causadas por vírus ou bactérias, existem vacinas extremamente eficazes e que conferem proteção permanente ao indivíduo. Para as moléstias causadas por fungos, protozoários ou vermes não se dispõe ainda de vacinas. Todavia, a obtenção e produção de vacinas específicas para cada moléstia infecciosa foi e continua sendo um dos campos prioritários da pesquisa médica.  As medidas preventivas podem ser classificadas nos seguintes níveis:

Níveis de prevenção:

Prevenção Primária: Medida aplicada para evitar a ocorrência da doença, que se faz com  a intercepção dos fatores pré-patogênicos, incluindo:

 

Promoção da saúde: é feita através de medidas de ordem geral.

Proteção específica:

Prevenção Secundária:  Medida aplicada afim de detectar o mais rápido possível a doença e limitar seus efeitos através do tratamento. A prevenção secundária é realizada no indivíduo, já sob ação do agente patogênico, ao nível do estado da doença, e inclui:

 

Diagnóstico precoce:

Limitação da capacidade:

Prevenção Terciária: Prevenção da incapacidade através de medidas destinadas à reabilitação e readaptação do indivíduo à comunidade.


Dúvidas de termos técnicos e expressões, consulte o Glossário geral.