HERPES GENITAL


 

Introdução

O Herpes genital é uma infecção viral que provoca lesões herpéticas  na região genital e anal.  Em geral, a infecção inicial é muito dolorosa e  dura cerca de uma semana.  O vírus de herpes humano pode permanecer latente no organismo por um longo tempo  e provocar recidivas periodicamente. O Herpes genital é uma doença sexualmente transmissível, mas também pode ser transmitida de forma assexual a partir de superfícies molhadas ou por autotransmissão, isto é,  tocar em uma lesão e, em seguida, tocar na área genital. A infecção caracteriza-se pelo aparecimento de lesões vesiculosas que, em poucos dias, transformam-se em pequenas úlceras, extremamente dolorosas em alguns casos.

 

O Herpes genital recidivante refere-se a episódios repetidos de herpes genital no mesmo indivíduo. As recidivas são menos dolorosas e, em geral, produzem menor prurido e queimação.  O vírus do herpes simples genital é a causa identificável mais comum de ulceração genital.

Incidência.

Agente etiológico

Herpes simplex vírus (HSV), tipos 1 (HSV1) e 2 (HSV2); pertence à família Herpesviridae; formado por aproximadamente 152.000 pares de bases de DNA dupla hélice, encapsuladas em um capsídeo proteíco. O vírus é contido em uma camada dupla de lípides derivada da célula do hospedeiro, crivada por glicoproteínas específicas do vírus e proteínas integrais da membrana. Os HSV 1 e 2 podem provocar lesões em qualquer parte do corpo, existe um predomínio do tipo 2 nas lesões genitais, e do tipo 1 nas lesões periorais.

Fisiopatologia

Uma vez inoculado em  pêlo ou membranas mucosas, o vírus replica-se em tecido epitelial, em um período de incubação de 4 a 6 dias. Essa replicação continua até haver lise celular e inflamação, causando a formação de vesículas em base eritematosa. Nódulos linfáticos fica acometidos  pela drenagem de secreção das áreas onde á replicação viral. Viremia e disseminação visceral podem acontecer, dependendo do estado imunológico do paciente.

 

O vírus geralmente ascende  via nervos sensitivos periférico até atingir os gânglios da raiz dorsal, por isso quando há replicação do herpes no tecido neural, isto  acaba por espalhar o vírus para outras mucosas ou tecidos via nervosa periférica. Então, a replicação viral acontece nas células epiteliais reproduzindo lesões semelhantes à lesão inicial, até que a infecção seja contida pelo sistema imunológico do hospedeiro. A reativação pode ser clinicamente assintomática, ou extremamente grave.

Fatores desencadeantes

Herpes e o Câncer do colo uterino

Existe uma associação entre infecção do colo uterino por vírus do herpes simples e carcinoma subseqüente, mas a natureza desta associação ainda não foi muito bem explicada pelos cientistas.  É por essa razão que se impõem culturas virológicas de material do orifício cervical ao mesmo tempo que de material procedente de quaisquer lesões de outras localizações. Todas as mulheres com cultura cervical positiva devem ser aconselhadas a realizar anualmente um esfregaço cervical consoante o método de Papanicolaou.

Herpes  e os Recém-nascidos

Os recém-nascidos podem ser infectados durante o parto pelo herpesvírus presente no colo uterino da mãe. Quando se suspeita da infecção herpética na mãe, deve-se realizar culturas virais repetidas na fase final da gestação. Se estas se mostram positivas, alguns obstetras indicam cesariana eletiva. O bebê se encontra em risco particularmente alto de contrair a doença a partir de uma infecção herpética materna primária, porquanto inexiste qualquer anticorpo materno que atravesse a placenta como sucede quando a mãe é portadora de herpes pós-primário, isto é, episódios recidivantes de herpes simples genital.

Herpes e a Aids

É freqüente que pessoas com infecção pelo HIV sejam também portadoras de infecção pelo vírus herpes simples tipo II, apresentando quadros recorrentes de herpes genital. A infecção genital  geralmente se manifesta no homem por erupção vesicular dolorosa no pênis e ânus; na mulher,  as lesões aparecem na região da vagina, pequenos e grandes lábios e no ânus. A primoinfecção costuma ter apresentação clínica mais exuberante, com lesões mais extensas, freqüentemente ultrapassando a zona de transição cutâneo-mucosa.  Em estágios avançados da imunodeficiência pode-se observar intensificação da gravidade, extensão e da duração dos sintomas, com formação de amplas lesões ulceradas, com evolução prolongada (maior que 30 dias), e até disseminação visceral. O quadro nesses pacientes é considerado grave e em alguns casos, extremamente doloroso.

Herpes e o sexo oral

Muito cuidado! Pode-se pegar herpes genital na boca depois de fazer sexo oral  com um parceiro ou parceira com herpes na região genital.

Período de incubação

Provavelmente 4-5 dias.

Duração da doença

A doença aguda pode durar de 2 a 4 semanas.

Localização

Na infecção primária, isto é, no primeiro ataque da infecção, as erosões são mais difusas. No episódio recorrente comum, há um aglomerado de erosões.

Obs:  As lesões cervicais uterinas, freqüentemente subclínicas, podem estar associadas a corrimento genital aquoso.

Transmissão

O vírus é transmitido com mais freqüência por contato direto com lesões infectadas ou objetos contaminados. Para que ocorra a transmissão é necessário que haja solução de continuidade, pois não há penetração do vírus em pele ou mucosas íntegras.

 

Transmissão sexual: através de relações sexuais. A forma inicial de contágio é  a relação sexual com pessoa que esteja com herpes genital em atividade.

 

Transmissão transplacentária: mãe grávida  transmite o vírus para o feto através da placenta.

Sinais e sintomas

As lesões herpéticas podem aparecer na região genital ou anal, ou em casos recorrentes mais  graves tanto na região genital como na anal (região do ânus).

Na infecção primária, isto é, no primeiro ataque da infecção, as erosões são mais difusas e aparecem  poucos dias depois do contato sexual. No primeiro episódio recorrente comum, ocorre um aglomerado de erosões.

 

Período prodrômico:

 

Período agudo:

 

As lesões em forma de cachos, desenvolvem-se em pequenas vesículas, que podem ou não, evoluírem para erosões genitais ou anais, dependendo da localização das mesmas.

 

Dor característica na região: no início uma queimação, depois as dores na região das lesões se tornam mais fortes. Em muitos casos até o uso da  roupa íntima causa dores  na região.

Aumento discreto ou moderado dos gânglios linfáticos inguinais; esses podem ser dolorosos à palpação, mas não supuram. Ocasionalmente, um dedo está infectado.

 

Retenção urinária, isto é, o paciente se queixa de dificuldade em urinar.  A retenção urinária pode ocorrer devido:  à dor provocada pela passagem da urina acima de erosões  na uretra ou região próxima a uretra terminal ou pode ser causada pelo envolvimento direto dos nervos sacros e da medula espinhal.

 

As infecções graves podem provocar erosões extensas do canal vaginal ou anal.

 

Colo do útero:  O envolvimento do colo uterino por infecção herpética pode se apresentar  através das seguintes formas:

Diagnóstico

O diagnóstico se baseia no quadro clínico. As culturas de vírus e provas sorológicas fornecem os dados para confirmação. 

Caso o diagnóstico seja confirmado para Herpes, deve-se fazer provas sorológicas para HIV e Sífilis. Em alguns casos, essas doenças podem estas associadas.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial deve ser feito para que o Herpes genital não seja confundido com outras patologias com quadro clínico semelhante. Através dos exames clínico, físico e laboratoriais o médico pode excluir essas doenças, até chegar ao diagnóstico correto. As doenças  que podem ser confundidas com  Herpes genital são as seguintes: 

 

Fase vesicular:

Fase erosiva:

Tratamento

Objetivo:  As metas do tratamento compreendem:

Controle da infecção.

Controle da disseminação.

Alívio da dor.

Reduzir a duração dos sintomas.

Específico: não existe tratamento específico para a doença. Não há cura para a infecção,  por isso o tratamento  é assintomático, isto é, para alívio dos sintomas.

 

Os medicamentos antivirais não curam a doença, mas ajudam a diminuir o período de evolução da crise herpética e os sintomas.

 

O tratamento com agentes antivirais nas recorrências de Herpes genital deve ser iniciado, de preferência, logo que o portador sente os primeiros sintomas da fase inicial (período prodrômico), da doença.

Obs:  O tratamento das lesões herpéticas, no decorrer da gestação, pode ser feito através dos agentes virais prescritos cuidadosamente pelo médico. Nas  gestantes portadoras  de Herpes genital, deve ser considerado  o risco de complicações obstétricas. A infecção primária materna, no final da gestação, oferece maior risco de infecção neonatal do que o herpes genital recorrente.

 

A infecção herpética neonatal consiste em quadro grave, principalmente quando o RN apresenta a sintomatologia da doença logo nos primeiros dias de vida. O recém-nascido deve ser assistido em Unidade  de tratamento Intensivo Neonatal e ser acompanhado  por uma equipe multiprofissional de médicos especializados.

 

Prognóstico:  As lesões da infecção primária levam duas a quatro semanas para desaparecerem. As lesões recorrente podem remitir em 2-5 dias, mas eventualmente chegam a demorar 10 dias para desaparecer.

 

Nos ataques mais prolongados, vesículas aparecem densamente agrupadas em diversos cachos, junto com vesículas, pústulas e erosões. Nestes casos as lesões demoram mais de um mês para desaparecer. Em alguns casos específicos as cicatrizes surgem como seqüelas das lesões erosivas.

 

Não está elucidado o motivo pelo qual alguns pacientes sofrem de ataques recorrentes de herpes genital ou o que precipita a recorrência. Alguns pacientes têm recorrências freqüentes que lhes acarretam sofrimento e dores consideráveis.

 

Atenção:  Evitar relações sexuais de qualquer forma, enquanto o Herpes estiver ativo e com as lesões, porque o risco de contaminar o parceiro é muito alto.

Complicações

As complicações podem se agravar quando existe a presença de infecção secundária.

Nas gestantes:

Nos recém-nascidos:

A maioria dos RN com infecção intra-uterina pelo VHS pode apresentar as seguintes manifestações clínicas:

Cuidados gerais

Prevenção

medidas sanitárias:

medidas individuais:

Cuidados  preventivos que podem ser tomados para evitar as DST

As DST manifestam-se  pelo aparecimento de feridas, coceiras, dor ao urinar, corrimento uretral e /ou vaginal e verrugas,  na área genital e/ou anal.  Ao surgir qualquer dessas alterações, deve-se procurar um médico, que se encarregará do diagnóstico e do tratamento adequado. A demora em procurar o médico aumenta os riscos da doença se alastrar e da pessoa infectada contaminar seu parceiro (a) ou outras pessoas. Uma vez feito o diagnóstico, a pessoa deve avisar quem lhe transmitiu a doença. Os dois  devem se tratar e evitar, enquanto não estiverem curados, as relações sexuais com outras pessoas. Caso o indivíduo infectado  tenha tido vários parceiros, deve se possível, entrar em contato com eles, informar a sua situação e pedir para que procurem um médico relatando a situação. 

 

A propagação da DST está ligada à promiscuidade e á falta de informação. Qualquer pessoa pode adquirir uma doença, desde que tenha contato sexual com outra já doente.  A troca frequente de parceiros sexuais, principalmente na adolescência até o período de 35 anos de idade, aumenta ainda mais o risco de se contrair uma DST. 

E o que é pior: uma pessoa pode adquirir uma mesma doença várias vezes, ou em alguns casos pode também está com duas doenças venéreas ao mesmo tempo . Existem vários cuidados que podem ser tomados para evitar a contaminação e transmissão de doenças venéreas: 

Atenção: Todas as condições que influenciam ou facilitam um comportamento sexual promíscuo como a urbanização desorganizada, agressividade, condições socioeconômicas,  insegurança, falta de informações sobre sexo, anticoncepcionais, determinadas ocupações, migrações, prostituição, turismo sexual e o uso distorcido dos meios de comunicação de massa que em alguns casos contribuem muito para a promiscuidade sexual, vêm desempenhando importante papel não só no aumento das DST, mas também nas doenças infecciosas e transmissíveis em geral. 

Parece importante assinalar que uma população teoricamente mais esclarecida, a dos estudantes universitários, constitui hoje, um dos chamados grupos de risco para se adquirir DST.


Dúvidas de termos técnicos e expressões, consulte o Glossário geral.

Maiores informações sobre Infecção Neonatal pelo Vírus do Herpes, consulte o Menu de Doenças do Recém-nascido.