COCAÍNA


 

Introdução

A cocaína é uma substância natural, extraída das folhas de uma planta que ocorre exclusivamente na América do Sul: a Erythroxylon coca, conhecida como coca ou epadú, este último nome dado pelos índios brasileiros. A cocaína pode chegar até o consumidor sob a forma de um sal , o cloridrato de cocaína,  que é solúvel em água e, portanto, serve para ser aspirado ("cafungado") ou dissolvido em água para uso endovenoso ("pelos canos"); ou sob a forma de uma base, o crack que é pouco solúvel em água, mas que se volatiliza quando aquecida e, portanto, é fumada em "cachimbos". Também sob a forma base, a merla (mela, mel ou melado) preparada de forma diferente do crack, também é fumada. Enquanto o crack ganhou popularidade em São Paulo, Brasília foi a cidade vítima da merla. De fato, pesquisa recente mostra que mais de 50% dos usuários de drogas da Capital Federal, fazem uso de merla, e apenas  2% de crack.

Sinonímia

A cocaína  e seus subprodutos são conhecidos  pelos seguintes nomes:

·         Branca.

·         Branquinha.

·         Crack.

·         Farinha.

·         Merla.

·         Mel.

·         Mela.

·         Melado.

·         Neve.

·         Pedra.

·         Pedra azul.

·         Pelos canos (injetável).

·         Pó.

 

A Origem da cocaína

A cocaína é produzida a partir de folhas de coca, geralmente plantadas na Bolívia, no Peru e na Colômbia. A cocaína tem como origem o arbusto  Erythroxylon coca, originário da América do Sul, também cultivado em Java e Sri-Lanka. A cocaína está presente em todas as partes desta planta.   A fórmula química da cocaína é 2-betacarbometoxi-3-betabenzoxitropano. 

Especialistas  da ex-União Soviética, fizeram várias pesquisas genéticas, financiadas pelos grandes produtores de coca. Essas pesquisas resultaram em uma  variedade de pé de coca, que chega a 2,7 metros de altura, com quatro vezes mais cloridrato de cocaína e resistente  aos herbicidas, despejados sobre as plantações para erradicá-las, principalmente pelos norte-americanos. Isso explica, porque mesmo com a destruição de muitas lavouras de pé de coca, a oferta mundial da cocaína ainda continua estável, com distribuição de droga mais pura e preço mais acessível do que na década passada.

 

Incidência

§  A cocaína está entre as quatro drogas ilícitas mais consumidas no país.

§  Atualmente, o Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crimes (UNODC), estima que o País tem cerca de 870 mil usuários de cocaína.

§  O mercado de consumo da cocaína no Brasil é o segundo do continente americano. O primeiro é o mercado dos Estados Unidos com mais de 6 milhões de usuários.

§  Existem mais de 20 milhões de pessoas viciadas em cocaína em todo o mundo.

§  O subproduto da cocaína o crack, vicia mais rápido, do que a própria cocaína.

§  A Espanha é considerada uma das maiores portas de entrada para a cocaína na Europa.

§  Cidades como Lagos, a capital da Nigéria, são usadas como caminho alternativo pelo tráfico de cocaína para a Europa. 

§  O Brasil, Peru e Venezuela são os países da América Latina que servem como rota da cocaína que sai da América do Sul para a Europa e África.

§  O México é um dos grandes consumidores de cocaína, e também é considerado como ponto-chave da entrada da droga nos Estados Unidos, através das suas extensas  fronteiras, com aquele país. 

§  Cerca das 80 toneladas de cocaína que passam pelo Brasil a cada ano, a metade permanece no país para consumo interno, enquanto o restante é traficado para países africanos, com destino à Europa.

§  Na região Sudeste está concentrado o maior número de usuários da droga.

 

Entrada da cocaína no Brasil

A cocaína utilizada no Brasil é toda importada dos países vizinhos. Chegar ao país  através de pessoas, que vão buscá-la em pequenas quantidades nas cidades fronteiriças, escondida no porta-malas de carros, dentro de botijões de gás vazios, nos pneus de carros ou presa ao corpo. Pode vir também em troca de automóveis roubados, escoados pelo Paraguai ou pela Bolívia, em um esquema operado por quadrilhas.  Os grandes carregamentos de toneladas de cocaína, são entregues aos   megatraficantes, através de caminhões, navios e aviões.

 

Os megatraficantes de cocaína, geralmente têm contato direto, com os grandes produtores de cocaína nos países produtores da droga, na América Latina. Compram a cocaína pura, revendem a intermediários com cerca de 80% de pureza. Esses intermediários adulteram mais ainda a droga, misturando-a com outras substâncias,  depois revendem com um grau de pureza entre 30% a 40%.  A droga já bastante adulterada é distribuída pelos gerentes do tráfico, que são considerados peixes pequenos pela polícia,  através de uma rede de dez a quinze "empregados" ou mais, conhecidos como "vapores" ou "aviões".  São com esses "aviões" (muitos menores de idade), que os usuários e dependentes compram a droga em pequenas quantidades, para se viciar. Caso queiram comprar maior quantidade de droga, para tentar revender, devem pagar uma taxa especial aos "gerentes".

 

A cocaína é uma das drogas que mais dão lucro aos traficantes devido ao seu preço, por isso o alto investimento para o negócio, compensa pelo lucro arrecadado. Os grandes traficantes hoje operam uma estrutura especializada e profissionalizada. Comandam "empresas" bem estruturadas, com organograma e com todas as hierarquias e cargos, em que, cada elo tem um serviço específico, sendo capaz de funcionar mesmo se um de seus líderes for capturado pela polícia ou que seja morto.  Mas,  mesmo quando algum grande líder do tráfico é preso e confinado, mesmo assim ele consegue ditar e mandar ordens, através de alguns  advogados sem ética, funcionários do presídio corruptos e visitantes que servem de pombo-correio para o envio de mensagens para fora do presídio e, principalmente pelo uso de celular. Através desse pequeno e notável aparelho, ele se conecta à "empresa" e consegue mesmo preso, acesso a todas as suas operações.

 

Por isso, a necessidade primordial da polícia, em tentar de todas as maneiras possíveis, isolar completamente os líderes  do tráfico de drogas nos presídios. Mas, devido a algumas medidas jurídicas, muitas dessas restrições estão sendo contestadas judicialmente. Atualmente, a maneira que a polícia brasileira encontrou para tentar diminuir o contato dos líderes do tráfico com o mundo lá fora, estão sendo as seguintes:

 

§  Uso de bloqueadores de celular no presídio.

§  Restrição de telefones fixos nos presídios.

§  Monitorização e gravação  dos telefones fixos, usados dentro do presídio.

§  Evitar,  e não restringir visitas íntimas.

§  Limitar o acesso do preso ao visitante através de vidros, sendo que as conversas são através de telefones instalados em cada lado do vidro. O preso não tem contato físico com o visitante.

§  O advogado só tem acesso ao preso através do vidro, e só conversam através dos telefones, colocados de cada lado do vidro.

§  Uso de portas bloqueadoras de metal para todos os que entram no presídio (policiais, funcionários, agentes penitenciários, fornecedores, advogados e visitantes).

§  Vistoria rígida dos caminhões de entrega de materiais ou alimentos ao presídio.

§  Construção de presídios federais de segurança máxima, distantes das principais capitais do tráfico.

§  Os líderes devem ficar em celas individuais e sem tomadas para aparelhos elétricos. 

§  Vistorias nas celas, periodicamente e sem aviso prévio.

§  Construção de mais presídios de segurança máxima.

 

Substâncias adicionadas à cocaína

 

De acordo com  estudos, os traficantes em quase todo o mundo, adicionam várias substâncias à cocaína pura, seja para aumentar seu volume ou seu efeito narcótico. Em geral, a droga  vendida  contém apenas um terço de pureza. Especialistas afirmam que o usuário habituado à droga "malhada" ou "batizada" (com misturas) pode morrer de overdose, quando consomem cocaína pura.  A cocaína pura que chega aos traficantes no Brasil, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo, é triplicada graças às misturas que são acrescentadas  à cocaína pura:

 

·         Ácido acetilsalisílico (AAS e aspirina): Usado como espessante, não tem efeito nocivo.

·         Ácido benzoíco: Usado para preservar a cocaína, não faz mal à saúde. Encontrado em fórmulas de vários medicamentos.

·         Ácido bórico:  Afasta os insetos atraídos pelo amido e por outras substâncias da mistura. Pode causar alterações gástricas, como gastroenterites, náuseas, vômitos e diarréia.

·         Amido:  Muito utilizado para aumentar o peso da cocaína, faz muito mal à saúde do usuário. Criam-se bactérias e fungos na cocaína e, ao aspirar a droga, o usuário pode desenvolver micoses graves na mucosa do nariz.

·         Anestésico (xilocaína e lidocaína): É utilizado para dá a  sensação de que a cocaína é pura, quando esta é esfregada na gengiva.

·         Bicarbonato de sódio: É usado como estabilizante, prolongando a durabilidade da droga.

·         Carbonato de magnésio: Muito usado nas pastilhas de antiácido, não faz mal à saúde. É usado para aumentar o volume da droga.

·         Carbonato de cálcio: Muito usado em pastilhas para acidez, tem o mesmo efeito do carbonato de magnésio quando misturado à droga.

·         Fermento químico: Ainda não se conhece o porquê de sua utilização.

·         Pó de mármore: Serve para aumentar o peso da droga. Não produz efeito imediato na saúde, mas pode se depositar no pulmão e causar infecções como a pneumonia.

·         Talco: Pode levar à morte quem tem problemas alérgicos, como asma e bronquite.

·         Vidro moído: Causa erosão na mucosa nasal, sangramento, inflamação e conseqüente sinusite crônica. O efeito piora em combinação com o AAS, perfurando o septo nasal.

 

O consumo de cocaína "batizada" é considerado um suicídio, para grande parte dos médicos. O amido, por exemplo, é bastante utilizado para aumentar o peso da cocaína. O amido faz mal à saúde do usuário. Ele cria bactérias e fungos na cocaína misturada e, ao aspirá-lo, o usuário aspira também o fungo que cresceu junto com o amido, e pode desenvolver micoses profundas na mucosa do nariz.  O vidro moído, geralmente de lâmpadas fluorescentes,  também adicionado à cocaína causa erosão na mucosa. O vidro moído deixa a mucosa mais sensível à absorção da droga, que penetra com mais rapidez.  Como o vidro não  é eliminado e nem absorvido pela mucosa, ele fica na epiderme, penetra na pele, causando uma inflamação da mucosa e uma conseqüente sinusite crônica. A cocaína leva a um vaso constrição tão grande que o nariz chega a sangrar.

 

Ao final de um período de uso, o viciado fica com os pulmões cheios de impurezas que causam grandes males à saúde. Podem ainda desenvolver doenças infecciosas. Mas, muitos traficantes afirmam que a cocaína tem que ser "batizada", com uma forma de sobrevida do dependente químico. Se a droga fosse pura, o usuário morreria na hora, por não estar acostumado.

 

Subprodutos da cocaína

Crack:  O Crack é obtido da mistura e aquecimento da pasta base da coca  a da própria cocaína com bicarbonato de sódio, que resulta no preparo sólido, que posteriormente é quebrado a fim de ser fumado. Esse subtipo de cocaína é chamado de crack, porque faz um pequeno estalo na combustão quando está sendo fumado. O crack é aquecido em cachimbos,e a queima desta combustão libera vapores que serão inalados pelo usuário. 

 

O crack é uma droga altamente perigosa para o usuário. Os efeitos produzidos no usuário são basicamente iguais ao da cocaína, porém muito mais intensos. Podem causar irritabilidade, depressão e paranóia, algumas vezes levando o usuário a ficar completamente fora de si e violento. Afeta  a memória e a coordenação motora, provocando  um emagrecimento acentuado em pouco tempo. O crack debilita o organismo como um todo, rapidamente, sendo considerada a droga que mais causa prejuízos no organismo do viciado, em pouquíssimo tempo de uso. Provoca dependência química, física e psíquica em pouco tempo.

Merla: A merla é um subproduto da cocaína. Obtida das folhas de coca, às quais se adicionam alguns solventes como ácido sulfúrico, querosene e cal virgem. Com essa mistura, a merla transforma-se num produto de consistência pastosa, com uma concentração variável entre 40% a 70% de cocaína: 1 kg de cocaína chega a produzir 3 kg de merla.  Pode ser fumada pura ou misturada ao tabaco comum ou à maconha (bazuca). Possui a cor amarelo-pálido e escurece quando vai envelhecendo. A merla é uma droga altamente perigosa, que causa dependência física e psíquica, além de provocar danos, às vezes irreversíveis ao organismo. Sua absorção normalmente é muito grande através da mucosa pulmonar, e seu efeito excita o sistema nervoso central. Sua atuação é semelhante a da cocaína: causa euforia, aumento de energia, diminuição da fadiga, do sono, do apetite, ocasionando perda de peso, alucinações, delírios e confusão mental. Devido aos resíduos dos ácidos solventes, os usuários poderão apresentar casos de endurecimento pulmonar, chamado de fibrose.

 

Formas de uso

A cocaína pode ser usada pelos usuários de várias maneiras:

·         Em pó: pode ser aspirada ou cheirada.

·         Em pó dissolvida em líquido: pode ser injetada na veia.

·         Em forma de crack: pode ser fumada e inalada em cachimbos improvisados. É mais potente que a coca.

·         Em forma de merla: pode ser fumada.

·         Através da mastigação das folhas.

·         Usada como fumo. Nos países produtores de coca, o hábito de fumar  a "pasta" da coca é comum. É  mais barato e atinge as camadas mais pobres. Pode ser misturada com o tabaco ou maconha. O efeito é quase imediato, pois a absorção se faz pelos pulmões.

 

Tempo necessário para os efeitos da cocaína alcançar o cérebro

Os efeitos  da cocaína no cérebro, depende da pureza da droga e da forma de consumo. Quanto mais rápido a cocaína é absorvida e enviada para o cérebro, maior será a euforia e a satisfação experimentada pelo indivíduo.

§  Fumar: 6 a 8 segundos.

§  Cheirar: 1 a 2 minutos. A inalação produz níveis rápidos e também declives rápidos. Os níveis de cocaína no cérebro, suficientes para surtir efeito, são atingidos em mais tempo,  por isso o individuo necessita de maior quantidade da droga e mais doses diárias para se "satisfazer".

§  Injetar na veia: 10 a 20 segundos.

§  Mascar:  quando o indivíduo masca as folhas da coca, os efeitos de euforia são bem mais baixos e o índice de entorpecimento  é mais lento.

 

Como age a cocaína no cérebro

A cocaína  é uma   fulminante armadilha para o vício. Fumada ou cheirada em carreiras, as moléculas de hidroclorido de cocaína, o pó branco,  rumam para o núcleo Accumbens, no interior do cérebro. Em segundos, essas pequenas estruturas químicas excitam os neurônios dessa região, liberando dopamina, uma substância que também dá prazer, sensação de superioridade absoluta e euforia. É uma viagem que sempre termina, minutos depois, em depressão e, com freqüência, em dependência. 

O consumo da cocaína provoca a redução da atividade cerebral como um todo.  A região que mais sofre com o uso da droga, no entanto, é a frontal. Essa região cerebral é responsável, entre outras funções, pelo controle da impulsividade, pelo senso crítico  e pelo intelecto. Isso explica  alguns comportamentos muito comuns entre os viciados de cocaína, como mudanças repentinas de humor e surtos de agressividade, por exemplo. A razão para a afinidade da cocaína com a região frontal do cérebro ainda não foi totalmente desvendada. Os cientistas acreditam que esteja relacionada à diferença de concentração de dopamina, um neurotransmissor associado à sensação de bem-estar, entre as regiões cerebrais. Os receptores de dopamina, aqueles mais suscetíveis à ação da cocaína, são mais abundantes  no lobo frontal.  

A cocaína pode inibir os neurônios periféricos que transmitem sinais de dor, causando um efeito de entorpecimento ou anestesia local. A cocaína inibe a reabsorção dos neurotransmissores norepinefrina, serotonina e dopamina.  A cocaína imita os efeitos da dopamina, principalmente a euforia. A inibição da reabsorção prolonga e intensifica os efeitos dos neurotransmissores dentro e fora do sistema nervoso central. O uso repetido da cocaína ocasiona mudanças celulares tanto a curto como a longo prazo.

 

Cocaína e o Ataque Cardíaco

A cocaína é conhecida por aumentar os riscos de se ter um ataque cardíaco, após algumas horas de seu uso.  O consumo de cocaína provoca simultaneamente o estreitamento de vasos sanguíneos e o aumento da pressão arterial. Essa combinação aumenta em 40% as chances de parada cardíaca. Em alguns casos, dependendo da quantidade injetada, o ataque cardíaco é imediato e fulminante, resultando em morte do usuário.  

Recentemente, em uma pesquisa americana, foi descoberto que os usuários de cocaína enfrentam o que, possivelmente, é um risco fatal: aneurismas coronários, ou seja, uma obstrução nas paredes das artérias coronárias. O quadro favorece as chances  de se sofrer um ataque cardíaco, mesmo que se tenha deixado de consumir a droga há  vários anos, informaram os pesquisadores americanos. Estudos científicos evidenciam que a cocaína deve enfraquecer as paredes arteriais e conduzir a um aneurisma coronário, formando bolsas agudas com pressão sanguínea e danificando células das paredes internas das artérias do coração. Uma vez formado um aneurisma, o sangue poderá fluir através dele de maneira a favorecer a formação de coágulos sanguíneos. Os casos de aneurisma ocorreram em 30,4% de viciados em cocaína observados pela pesquisa, comparando-se com um total de apenas 7,6% de casos para pessoas que não utilizavam a droga.  

Foi observado, que o perigo de desenvolver um aneurisma, é quatro vezes maior em usuários de cocaína com uma idade média de 40 anos, do que em não-usuários da droga compreendidos na mesma faixa etária. Precisamente, não se sabe a quantidade exata de cocaína necessária para que o aneurisma seja produzido, entretanto, a freqüência do uso está claramente ligada ao desenvolvimento deste distúrbio.

 

Cocaína e o Derrame Cerebral

A cocaína também é um potente vasoconstritor, ou seja, ela provoca uma contração das artérias, especialmente as cerebrais. Dessa forma, sobra menos espaço para o sangue circular. Além disso, a constrição agride as paredes dos vasos e as deixa mais vulneráveis à pressão feita pelo fluxo sanguíneo. Com isso, a probabilidade de um derrame aumenta. Ou de vários pequenos derrames, que embora muitas vezes imperceptíveis, podem ter um efeito devastador se somados ao longo do tempo. De acordo, com especialistas, esses miniderrames são os responsáveis pela perda gradativa de atividade cerebral notada entre os usuários de cocaína.   

O principal fator de risco para o desenvolvimento de seqüelas, é o tempo de exposição à droga, e não a quantidade de droga que se utiliza. Ou seja, quanto maior o tempo de consumo de cocaína, maiores os prejuízos para o cérebro.

 

Cocaína e a Aids

As pessoas que fazem uso da cocaína, têm um comportamento de risco para adquirir Aids, maior do que a população que nunca usou a droga. Os usuários de cocaína, costumam usar  com menos freqüência preservativos e têm maior número de parceiros sexuais. 

 

Cocaína e a gravidez

O consumo de cocaína durante a gestação vem chamando a atenção da mídia e dos pesquisadores nos últimos anos. A cocaína é capaz de trazer problemas ao andamento da gestação e ao desenvolvimento do feto. Anomalias ou malformações causadas pela ação cocaína durante a gestação (teratogenias) também já foram detectadas entre gestantes-usuárias. Isso mostra que a cocaína tem uma ação tóxica direta sobre o desenvolvimento fetal.O principal mecanismo pelo qual a cocaína modifica o andamento da gestação e o desenvolvimento de feto é sua ação sobre a circulação. A cocaína atua no sistema nervoso central estimulando o sistema noradrenérgico. A ativação deste sistema, além de outras coisas, aumenta a freqüência cardíaca e contrai os vasos sangüíneos (vasoconstrição). Devido à vasoconstrição, há uma redução da chegada de oxigênio e nutrientes para a placenta, e por conseguinte, para o feto. Neonatos expostos à cocaína durante a gestação, apresentam maior incidência de prejuízos ao crescimento fetal e baixo peso ao nascer.

Prejuízos ao desenvolvimento neuropsicomotor: O consumo de cocaína parece não trazer prejuízos ao desenvolvimento motor do recém-nascido. Os prejuízos se concentram nas funções cognitivas. Estudos com crianças na faixa etária dos 2 aos 7 anos demonstraram problemas para manter o foco da atenção, bem como na atenção seletiva. Houve ainda, relatos de deficiência mental leve e prejuízos da memória e do aprendizado. As alterações cognitivas foram mais evidentes entre as gestantes que fizeram uso combinado de álcool ou de outras drogas. Os achados atuais apontam para o baixo peso ao nascer como a principal complicação envolvendo o consumo de cocaína durante a gestação. Quanto às alterações cognitivas detectadas, outros fatores de risco, tais como gravidade do consumo, período da gestação de maior uso, nível sócio-econômico, cuidados durante a gravidez e uso associado de outras drogas precisam ser considerados.  

Motivos que podem levar ao uso da cocaína

§  Desejo de "apenas" experimentar.

§  Condição imposta para participar de determinados grupos ou facções.

§  Fazer parte da "tribo".

§  Acompanhar os amigos.

§  Correr riscos.

§  Enfrentar desafios.

§  Entrar no grupo.

§  Esquecer os problemas.

§  Ser mais ativo.

§  Melhorar a sua criatividade.

§  Provar  que é independente.

§  Rejeição.

§  Relaxar.

§  Conseguir prazer.

§  Participar de orgias sexuais.

§  Satisfazer a curiosidade.

§  Depressão.

 

Tipos de viciados

Esses grupos podem se enquadrar em qualquer tipo de droga.

 

§  Ocasionais: são aqueles que provam uma determinada droga, movidos pela curiosidade ou por alguma pressão no momento, e não mais voltam a usá-la. Nesses casos, não ocorre dependência física ou psicológica. e não apresentam nenhum tipo de  transtorno se não usarem mais a droga. Também são chamados de experimentadores.

§  Moderados: São aqueles que já apresentam uma certa dependência psíquica,  e um certo impulso que faz com que eles procuram  mais droga. Dependendo do tipo de droga e do tempo de utilização, estes usuários podem já apresentar algumas alterações leves de comportamento nas áreas afetivas, profissional e familiar.

§  Habituais: Apresentam dependência psíquica acentuada, pois mudam seus hábitos para procurarem fornecedores de drogas (amigos ou traficantes), apresentando modificações evidentes no comportamento habitual, mudanças de humor, criam atritos familiares, trocam o dia pela noite, têm dificuldades em estabelecer ligações íntimas com as pessoas. Têm dificuldades na área profissional.

§  Dependentes químicos: são aqueles que dependem da droga para sobreviver. Fazem da droga seu único objetivo de vida. Não há outro interesse por nenhuma atividade. Nesses casos, as alterações físicas, mentais, e psicológicas são evidentes. O dependente químico é chamado também de toxicômano.

 

Sinais  de alerta que indicam o  uso de cocaína

Esses sinais comportamentais são percebidos pelas pessoas que convivem mais proximamente com o usuário. Esses sinais independem de faixa etária, geralmente são comuns nas pessoas, tanto jovens como adultos,  que se iniciam no mundo da cocaína:

§  Autoconfiança excessiva.

§  Euforia.

§  Relaxamento.

§  Sensação de bem-estar.

§  Vivacidade.

§  Arrogância.

§  Prepotência.

§  Egoísmo.

§  Astúcia.

§  Inteligência acentuada em algumas áreas (poucos casos).

 

Sinais de alerta para os pais

É pelos vestígios de uso e pelas alterações comportamentais que os pais podem identificar se o filho ou a filha consumiu drogas e dependendo às vezes até saber qual foi a substância.  Toda vez que o filho tem comportamentos diferentes dos de longa data, é preciso que se busque a causa, que pode ser ou não droga.   Não é porque o filho está usando ultimamente uma roupa diferente ou extravagante, está mais agitado, colocou piercing, usa tatuagens, está saindo mais para as baladas, que os pais vão suspeitar que ele está experimentando drogas.  Perceber não é fácil. Jovens na sua grande maioria experimentam drogas longe dos pais, e em determinadas ocasiões, com tempo suficiente para o efeito desaparecer.   

Esses sinais de alerta são algumas pequenas e sutis mudanças comportamentais e psicológicas, que os pais podem identificar no seu filho ou filha adolescente, quando ele está começando a ser um usuário de drogas. Os sinais de alerta são diferentes para cada tipo de droga. Algumas deixam os usuários mais ativos como a cocaína, outras mais apáticos, isto é mais  "devagar". Tudo vai depender do tipo de droga utilizada.  Esses sinais iniciais de alerta ficam evidentes, quando o adolescente está se drogando com doses leves ou moderadas, durante vários meses. No caso específico da cocaína, os sinais de alerta mais comuns são os seguintes:  

 

Sinais iniciais de alerta na fase inicial do vício:

§  Desempenho escolar começa a baixar, depois de algum tempo de vício, mas no início  do vício, geralmente o desempenho aumenta.

§  Perdem horários e compromissos.

§  Fica irritado com pequenas coisas.

§  Começa a ser mais agressivo. A agressividade vai aumentando gradualmente.

§  Inicialmente se cuida até mais da aparência pessoal, depois vai ficando mais desleixado.

§  Ri com muita facilidade.

§  Fica mais extrovertido e agitado.

§  Os olhos ficam avermelhados com mais freqüência.

§  Apresenta uma coriza ou rinite alérgica que é difícil de passar.

§  No início não demonstra cansaço, está sempre "aceso".

§  Começa a ficar mais tempo acordado durante a noite.

§  Apresenta perda de apetite.

§  Sente muito calor, depois que se droga.

§  Perde a timidez.

 

Sinais de alerta para identificar um adolescente já viciado em cocaína

Esses sinais diferem de uma pessoa para outra. Existem muitos fatores e situações que podem influenciar  nas alterações comportamentais, físicas e psicológicas do adolescente viciado, principalmente o nível intelectual, social e financeiro. Estatísticas indicam que, quanto maior for o nível  social do viciado, mas dificuldade a família terá para descobrir o vício.

§  Pede dinheiro com insistência, caso ele não tenha condições de financiar o seu vício.

§  Pode vender algumas coisas suas, para comprar cocaína.

§  Encontro de objetos estranhos no quarto: seringas, colírios, lâmina de barbear, resíduos de pó branco, papel de seda, canudinho.

§  Menti com facilidade. Pode ser pego mentindo várias vezes.

§  Tem uma freqüência escolar inconstante,  e suas notas escolares vão baixando gradativamente.

§  As conversas com os pais são mais através de frases curtas. Geralmente, respondendo a uma pergunta. A comunicação entre pais e o viciado fica dificultada, devido à falta de objetividade e falta do que falar.

§  É rejeitado pelos amigos e perde as amizades com facilidade.

§  As novas amizades, em muitos casos pertencem ao mundo das drogas.

§  Abandona namoros, esportes, passatempos ou cursinhos.

§  Tem dificuldade em estabelecer ligações íntimas com as pessoas.

§  Apresenta tremores constantes.

§  Senti frio, com facilidade.

§  Sua muito, sem motivo aparente.

§  Fica trancado no quarto, por um longo tempo.

§  Pode arranjar desculpas, para ficar fora de casa.

§  Pode freqüentar mais baladas, bailes e festas, retornando cada vez mais tarde para casa.

§  Pode começar a fazer uso de cigarro e álcool.

§  Começa a ter crises de ansiedade.

§  Descuida muito da sua aparência pessoal.

§  Apresenta um emagrecimento acentuado.

§  Caso se drogue pela veia, as picadas de injeção  ficam visíveis no corpo, caso cheire o pó, apresenta uma coriza constante.

§  Cria atritos sérios com os  pais e familiares.

§  Começa a ficar inconveniente em algumas situações.

§  Não gosta de ser repreendido.

§  Apresenta uma agressividade anormal, que vai aumentando à medida que consome mais cocaína, ou quando sente falta da droga.

§  Evita a luz forte, gosta mais de ambientes com pouca luz.

§  Costuma usar sempre óculos escuros, mesmo em ambientes fechados (os olhos ficam mais sensíveis à luz, por causa da pupila dilatada).

§  Em alguns casos,  pode chegar a agredir familiares.

§  Em alguns casos, pode roubar dinheiro e objetos da casa, para sustentar o vício.

 

Nessa fase,  o viciado também começa a apresentar um linguajar diferente. Geralmente, quando o jovem começa a se drogar, ele não se preocupa com o preço da droga, pois usa poucas doses, mas com o vicio, necessita de mais doses diárias, então começa a procurar pessoas indicadas por amigos que vendem drogas, não importando aonde tenha que ir para obtê-las. Com o tempo, começa a aprender a linguagem dos  pequenos traficantes, e sem perceber começa a usá-la no seu dia a dia.

 

Obs:  Esses sinais de alerta não são padronizados e nem são constantes, são citados apenas para tentar avisar aos pais, amigos ou familiares que essa pessoa está entrando em uma situação que pode gerar conseqüências desagradáveis e imprevisíveis a curto e longo prazo. Ele precisa de ajuda profissional imediata!

Drogas x Prazer

O prazer químico e artificial, provocado pela droga, é muito diferente do prazer sexual, fisiológico e natural.   O prazer químico é solitário e artificial. Geralmente, atinge a máxima intensidade  logo nas primeiras vezes que se usa a droga, e depois com o tempo, quanto mais se usa, mais esse prazer vai diminuindo, devido principalmente à tolerância que a droga causa no corpo. Esse ciclo de prazer, necessidade e tolerância é que gera a dependência. O usuário tem a necessidade vital de se drogar cada vez mais, para tentar atingir aquele ápice do prazer, na fase inicial do vicio. Essa sensação prazerosa que a droga traz, é que incita às pessoas a experimentar uma droga.

Efeitos imediatos

Esses efeitos imediatos geralmente são sentidos logo após o uso da cocaína, podem também variar no sentido do tempo e da forma com a qual a cocaína foi administrada, do tempo de vício e também do tipo de vida que o usuário leva.  Esses efeitos imediatos são mais sentidos e detectados, em usuários com pouco tempo de vício.

 

Efeitos psicológicos:

§  Euforia.

§  Agitação.

§  Sensação de prazer.

§  Sensação de onipotência.

§  Sensação de bem-estar.

§  Elevação do humor.

§  Ansiedade.

§  Sociabilidade.

§  Aumento da excitabilidade.

§  Aumento da auto-estima.

§  Aumento da criatividade.

 

Efeitos biológicos:

§  Taquicardia leve (aumento do ritmo cardíaco).

§  Dilatação da pupila (é mais difícil estar em ambientes claros).

§  Hipertensão leve (aumento da pressão arterial).

§  Sudorese (excesso de suor).

§  Aumento da temperatura.

§  Febre baixa e calafrios (pousos casos).

§  Náuseas e vômitos.

§  Perda de peso, conseqüente à perda de apetite.

§  Leve agitação psicomotora (o usuário nessa fase tem a necessidade de sempre estar em  movimento)

§  Arritmia cardíaca (pode levar à morte). A arritmia nessa fase geralmente ocorre, porque a usuário ainda não sabe dosar a quantidade correta para atingir  a sensação de prazer e viagem, que a droga proporciona a ele. Nessa fase também pode ocorrer overdose.

§  Crise epiléptica (ocorre devido a inabilidade do usuário em graduar a dosagem correta da droga).

 

Sensação de "viagem" ou de "prazer"

Um dos efeitos que mais os indivíduos experimentam e que procuram durante o uso da cocaína, e a sensação de ter feito uma "viagem". O indivíduo se desliga de tudo, e naquele momento tudo o que importa é a "viagem". Essa sensação de prazer no início do vício, dura vários minutos, mas com a continuidade da dependência, essa sensação de prazer ou de viagem, vai diminuindo gradativamente, por isso, muitos usuários se drogam várias vezes por dia, para conseguir chegar ao clímax da "viagem". 

 

Atenção: Qualquer pessoa que tiver seu estado de consciência alterado pelo uso e pelos efeitos da cocaína pode provocar acidentes, principalmente acidentes de automóvel.

A tolerância

Consiste na perda de eficácia com o uso, seja pelo aumento da velocidade de eliminação que o organismo desenvolve, seja pela habituação que o tecido alvo, no caso o cérebro, desenvolve para o efeito da substância em uso.  A tolerância desenvolve-se muito rápido quando o usuário usa a droga todos os dias. A curta duração dos seus efeitos induz facilmente ao consumo compulsivo. A tolerância significa que para obter o mesmo efeito que se teve pela primeira vez, é necessária uma dose cada vez maior, até que se chegue a um ponto onde não se consegue mais obter o efeito da primeira vez, mesmo com doses muito maiores. Nesta fase é que ocorre o perigo da overdose e da dependência.

 

A Dependência

O uso de drogas freqüentemente conduz a um desejo maior de consumir drogas. Muitas drogas usadas de modo abusivo, como a cocaína, podem ativar o circuito de recompensa do cérebro. Os efeitos diretos de uma determinada droga no circuito de recompensa, produzem sensações de prazer, alteram o desempenho,  assim por diante. Os efeitos indiretos de uma droga estão relacionados a determinados ambientes, lugares ou memória. Estes efeitos é que podem dar início a dependência ou reforçar o desejo de consumir drogas. 

O dependente de drogas chega a cometer crimes para manter o consumo de drogas, quando não tem dinheiro para sustentar o seu vício. Ele acaba furtando, roubando e até cometendo crimes mais graves, como assassinatos para obter recursos para alimentar seu vício.  

As drogas em geral, desencadeiam inconscientemente, a satisfação de uma forma tão intensa e plena que é difícil de ser abandonada por quem as experimenta com freqüência. Por isso, é tão difícil para alguns usuários largarem a droga e, conseqüentemente, fazem de tudo para obtê-la cada vez mais, não importando de qual maneira a droga vai ser adquirida.  O dependente de cocaína, só larga o vício se tiver muita força de vontade. Ele deve fazer uma auto-avaliação e ponderar as perdas que teve na vida com o prazer que sente ao consumir o tóxico e decidir se quer parar. Se o dependente de cocaína não quiser largar o vício, é quase impossível resgatá-lo do mundo das drogas.

A Overdose

A quantidade necessária para provocar uma overdose de cocaína, varia de uma pessoa para outra, e depende do grau de pureza da droga, da forma de administração  e da quantidade de cocaína aspirada ou injetada.   A quantidade  de cocaína suficiente para provocar overdose, seguida de parada cardíaca, é de apenas 1,2g.   Quando for cocaína "batizada", essa dosagem pode ser um pouco maior, porque a cocaína está muito misturada com outras substâncias. A possibilidade de overdose, entretanto, é maior quando a droga é injetada diretamente na corrente sanguínea. Nesses casos, a overdose resulta em uma parada cardíaca e respiratória. 

Após uma overdose por cocaína, o usuário deve ser levado imediatamente para tratamento de emergência, em um hospital. Os acompanhantes devem informar sobre o uso excessivo de cocaína, pela vítima.  

Cuidado: A mistura de cocaína com álcool ou outras drogas, aumenta o risco de overdose, ferimentos, violência, abuso sexual e morte.

O Tratamento

O tratamento psiquiátrico, psicológico e psicoterápico vai depender muito do grau de dependência da droga, no usuário. Infelizmente, em muitos casos, depende também da condição financeira da família do usuário. Os tratamentos de desintoxicação no Brasil, ainda são muito caros  e,  geralmente são  inviáveis financeiramente para uma grande parte das famílias de usuários de drogas.

 

Existem clínicas especializadas e centros sociais que dão apoio e fazem tratamento para o indivíduo viciado em cocaína. Esses ex-viciados devem ter um acompanhamento psicológico em longo prazo, após o tratamento.

 

Tratamento medicamentoso: Nenhuma medicação foi até o momento demonstrado como eficaz ou definitivo no tratamento da dependência à cocaína. Anteriormente outras medicações aparentemente promissoras como a desipramina, carbamazepina, amantadina, fluoxetina, ritanserina e outras foram testadas. Os estudos ou foram inconclusivos ou mostravam claramente a ineficiência dessas medicações.

 

Clínicas de desintoxicação: As clínicas de internamento e desintoxicação para usuários dependentes de drogas, na sua grande maioria são caras e muitas famílias não têm condições de internar o seu filho ou parente,  para uma desintoxicação.  Os governos estaduais, através das suas Secretarias de Assistência Social oferecem alguns desses serviços gratuitamente. As famílias necessitadas devem entrar em contato com essas instituições.  Muitos grupos de apoio e organizações não-governamentais, oferecem este tipo de serviço gratuitamente ou através de pequenas taxas mensais. As famílias dos usuários  e dependentes de drogas, devem tentar entrar em contato com as mesmas, para que o tratamento de desintoxicação seja iniciado o mais rápido possível.

 

Controle de cura:  O dependente de droga, depois do tratamento, geralmente não diz que está curado, quase sempre usam o termo "estou  tantos dias, meses ou anos sem usar drogas". A facilidade com que as drogas podem ser encontradas, faz com que o usuário  que passou por tratamento, tenha uma recaída.  E a cada recaída mais dias de sua vida, com certeza, ele perde. Portanto para ele, está curado, é está mais um dia longe das drogas.

 

A Síndrome de abstinência

A síndrome de abstinência é um conjunto de sintomas, que o viciado pode vir a  ter, devido à interrupção do vício.  Quando o usuário por qualquer motivo interrompe  o uso de drogas, tanto o seu corpo como o seu cérebro reagem a essa situação brusca.  Geralmente, a síndrome de abstinência se instala, quando o paciente começa com o tratamento de desintoxicação ou quando o próprio dependente, resolve parar de usar drogas, por conta própria.

 

Sintomas psíquicos e psicológicos:

§  Apatia (desânimo).

§  Fadiga (cansaço).

§  Confusão mental.

§  Falta de controle físico e mental.

§  Desorientação no espaço e tempo.

§  Ansiedade.

§  Sonolência excessiva.

§  Depressão grave.

§  Irritabilidade.

§  Inquietação.

§  Idéia de suicídio.

§  Surtos psicóticos.

 

Sintomas físicos:

·         Lacrimejamento.

·         Coriza intensa.

·         Sudorese (excesso de suor).

·         Fraqueza geral.

·         Dilatação das pupilas.

·         Tremores musculares.

·         Dores musculares (mialgias) intensas.

·         Dor abdominal (dor na região da barriga, tipo cólica).

·         Insônia.

·         Pulso rápido.

·         Ondas de frio.

·         Ondas de calor.

·         Náuseas e vômitos, quando come qualquer alimento. Ocorre nos primeiros dias, depois passa.

·         Dores nos ossos.

·         Hipertemia (febre leve a moderada).

·         Perda de peso: decorrente da falta de apetite.

·         Diarréia.

·         Ejaculação espontânea.

·         Pode ocorrer orgasmo espontâneo.

 

Sintomas que podem ser necessário uma intervenção médica:

·         Aumento da glicose sanguínea.

·         Distúrbio do metabolismo ácido-base.

·         Aumento dos leucócitos sanguíneos.

·         Acidose sanguínea.

·         Desidratação moderada a grave.

·         Diarréia intensa.

·         Aumento da pressão arterial .

·         Crises epilépticas.

·         Convulsões.

 

Nessa fase de abstinência o desejo é tão grande de usar a droga, que o indivíduo se sujeita a fazer qualquer coisa, para obter a droga. É considerada uma das fases mais difíceis do tratamento de desintoxicação.

 

Conseqüências após uso prolongado

Todos os efeitos imediatos, que o viciado experimenta e desfruta nos primeiros meses de uso da droga,  tais quais euforia, agitação, sensação de prazer, ansiedade, excitação sexual e, a sensação indescritível de viajar sempre que usa a cocaína, dão lugar a outras situações completamente diferentes. Quando o viciado fica dependente da droga, ele não liga mais pra nada. Perde as amizades, causam conflitos dentro da família, seu desempenho profissional cai gradativamente, falta ao trabalho, rompe laços com o seu ciclo de amizade e sua vida social fica  abalada. Em longo prazo, o uso da cocaína, pode ainda levar o usuário a ter os seguintes sintomas:

 

Efeitos psicológicos:

§  Desmotivação.

§  Desconfiança de tudo e de todos.

§  Alterações de humor inexplicadas.

§  Inibição excessiva.

§  Irritabilidade excessiva.

§  Ansiedade.

§  Introspecção.

§  Diminuição gradativa da auto-estima.

§  Crises de ansiedade.

§  Inapetência  ou impotência sexual.

§  Apatia.

§  Comportamento impulsivo.

 

Efeitos psiquiátricos:

§  Idéias delirantes do tipo persecutório.

§  Crises de pânico.

§  Alucinações auditivas ou visuais.

§  Distúrbios do humor.

§  Estereotipias (comportamento repetitivo de forma não justificável).

§  Alterações da personalidade.

 

Efeitos biológicos: Doses elevadas  ou consumidas regularmente também causam no organismo os seguintes sintomas:

§  Palidez.

§  Alterações hormonais.

§  Emagrecimento profundo.

§  Insônia por longo tempo.

§  Sangramento do nariz.

§  Coriza persistente.

§  Renite alérgica.

§  Dilatação pupilar mais constante (devido a essa dilatação da pupila, o viciado se sente melhor em ambientes escuros).

§  Suor frio.

§  Dores musculares (mialgias).

§  Inapetência (falta de apetite).

§  Desmaios.

§  Diminuição da capacidade respiratória.

§  Cefaléias (dor de cabeça)

§  Convulsões epilépticas.

§  Arritmias cardíacas.

§  AVC ou derrame cerebral.

§  Infarto do miocárdio.

§  Parada cardíaca (overdose)

 

A cocaína aspirada causa graves danos ao nariz: ocorre a retração dos vasos sanguíneos que irrigam e mantém o septo nasal íntegro, causando a necrose da cartilagem e a sua perfuração.  

No local das picadas de injeções, as veias ficam endurecidas e difíceis de "pegar”, forçando o usuário a procurar outros lugares  do corpo para se picar.  

Com o passar do tempo, o medo e as funções deterioradas, são conseqüência comuns para quem tem o hábito de fumar cocaína.  

O uso prolongado da cocaína em alguns casos pode provocar estados psicóticos. O indivíduo viciado tem a sensação de está sendo sempre perseguido, e sofre de alucinações. Alguns indivíduos experimentam também, todas as sensações do ataque de pânico.

 

Conseqüências do uso da cocaína durante a gravidez

A cocaína é uma das drogas ilícitas que mais causam problemas graves tanto na gestante como no seu bebê. O uso da cocaína durante o período de gravidez, pode contribuir para várias conseqüências a curto e em longo prazo para a criança. Dentro do útero a cocaína atravessa a placenta e alcança o feto em desenvolvimento. A alteração das funções dos neurônios ou conexões de neurônios pode resultar da exposição à droga durante os estágios críticos do desenvolvimento do cérebro do feto.  O uso da cocaína  e dependendo dessa quantidade no sangue da mãe, pode resultar em descolamento prévio da placenta.   

Os bebês nascidos de mães viciadas no uso de drogas durante a gravidez podem nascer também dependentes da droga, com baixo peso, prematuros ou já nascerem com lesões  e deficiências mentais e físicas. As crianças que foram geradas enquanto a mãe fazia uso de drogas, também podem ter mais dificuldade para aprender, do que crianças geradas por mães que não utilizam a cocaína. O aumento da mortalidade pré-natal em adolescentes viciadas pode ser atribuída também ao vicio da cocaína.

 

Seqüelas  da cocaína no corpo

O uso prolongado da cocaína além de causar alterações no sistema nervoso, causar graves distúrbios em diversos órgãos do viciado na substância. Dependendo da via de administração da droga, esses distúrbios podem ficar crônicos, resultando em alguns casos particulares,  em risco de vida para o viciado.

 

Cérebro

§  AVC ou derrame cerebral.

§  Aneurisma cerebral.

§  Atrofia cerebral.

Coração

§  Ataque cardíaco.

§  Aneurismas coronários.

§  Taquicardia: resultante da pressão sanguínea elevada

Nariz

§  Coceira persistente.

§  Coriza constante.

§  Perfuração do septo nasal.

§  Renite alérgica.

§  Ulceração do septo nasal.

Olhos

§  Alteração no cristalino.

§  Midríase (pupilas dilatadas).

§  Olhos avermelhados.

Pulmão

§  Asma.

§  Edema pulmonar.

§  Hemorragia nos pulmões.

§  Tosse.

§  Tosse com sangue.

Rim

§  Insuficiência renal.

Atenção:

As primeiras doses de qualquer droga, geralmente são  oferecidas de graça ou com o intuito de que você deve experimentar antes, para depois dizer, se foi bom ou ruim. Muitos argumentam que só uma dose ou um comprimido, não vai viciar e nem trazer nenhum risco, só  "prazeres".  O fornecimento da primeira dose  ou pílula, quase sempre é através de pessoas conhecidas ou que você considera amigos. Tome muito cuidado com aqueles que chamam de "amigos", e que oferecem drogas pra você experimentar, eles podem levá-lo para um lugar que mais tarde vai ser difícil de deixar: O Mundo das Drogas.


Dúvidas de termos técnicos  e expressões consultem o glossário específico de Doenças Neurológicas ou o glossário geral.