DOENÇA DE TAY-SACHS*


Definição

A Doença de Tay-Sachs é uma desordem neurológica progressiva, que acomete principalmente os bebês, deixando-os com seqüelas irreversíveis. A doença resulta de uma atividade deficiente da enzima lisossomal hexosaminidade A, acarretando um acúmulo intracelular de substratos e um processo déficit neurológico. Esta patologia é caracterizada pelo acúmulo do gangliosídio GM2 e outros glicolipídios nas células do sistema nervoso, tendo como conseqüência uma progressiva deterioração neurológica. A doença consiste essencialmente na parada do desenvolvimento psicomotor, e também a perda das aquisições feitas anteriormente.

Sinonímia

É uma doença também conhecida pelos seguintes nomes: 

Histórico

Descrito primeiramente em 1881, pelo Dr. Warren Tay, um oftalmologista britânico que relatou as alterações maculares (presença no olho de uma mancha pálida com notório contraste da fóvea macular central "mancha vermelho-cereja"), e em 1887, pelo Dr. Sachs, neurologista britânico, descreveu pormenorizadamente os aspectos clínicos e patológicos da afecção.

Incidência

Obs:  São poucos os casos descritos de Doença da Tay-Sachs em que o paciente não era de origem judaica ou não pertencia a outro grupo étnico específico.

Patogenia

Na Doença de Tay-Sachs, as células principalmente os neurônios, encontram-se edemaciados, em processo extenso de vacuolização. Isto ocorre devido ao acúmulo intracelular de substratos, principalmente o gangliosídio  GM2. Quando o armazenamento de substratos tinge níveis críticos, possivelmente estas células são destruídas por mecanismos de apoptose. Observa-se no SNC uma importante atrofia de cérebro, do tronco cerebral e do cerebelo.

Há uma correlação entre a severidade da doença e o nível de atividade enzimática residual presente no indivíduo. As crianças apresentam a forma mais severa, pois nelas encontra-se uma atividade enzimática residual ou ausente. Os adultos exibem uma progressão menor e um quadro clínico menos agressivo, justamente por possuírem níveis mais elevados de atividade enzimática residual. Os jovens constituem um grupo intermediário. Outros mecanismos podem estar envolvidos indiretamente na gênese desta desordem, como defeitos na localização ou no transporte da enzima lisossomal.

Formas clínicas

A Doença de Tay-Sachs apresenta-se em três formas clínicas:

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas  costumam ter início nas primeiras semanas ou meses de vida (habitualmente entre 3 e 7 meses de idade). Uma das primeiras manifestações da doença, independente da apresentação da forma clínica é a hiperacusia, condição que pode determinar sobressaltos, agitações e choro em virtude da extrema sensibilidade destas crianças aos ruídos, na fase final da doença ocorre a surdez total. Outro elemento clínico que ocorre no início da doença, independente da forma clínica de apresentação  da doença, é a involução psicomotora, caracterizada pela parada do desenvolvimento e deterioração mental progressiva. 

Forma clássica:

As crianças com a doença clássica possuem uma evolução definida e dificilmente sobrevivem além dos 4 anos de idade. Nascem completamente normais e desenvolvem-se fisiologicamente até os 3 ou 6 meses, quando começam as manifestações clínicas da doença:

Forma subaguda:

Os pacientes com a forma subaguda apresentam os seguintes sintomas entre os 2 e 10 anos de idade:

Forma crônica:

Pacientes com a forma crônica apresentam anormalidades na postura e no modo de andar entre os 2 e 5 anos de idade. Muitos permanecem com esta condição até a 3ª ou 4ª década de vida. Esta forma apresenta um  quadro clínico e uma evolução extremamente variável, podendo-se por exemplo, encontrar em uma mesma família pacientes com diferentes sintomas. Os sintomas mais predominantes são disfunção espinocerebelar e disfunção do neurônio motor inferior. Psicose associada com episódios de depressão é evidente ou desenvolve-se em um  terço dos pacientes.

Obs:  O crânio destas crianças que têm a forma clássica de apresentação da doença, aumenta desproporcionalmente de tamanho a partir do primeiro ano de vida, em virtude de deposição anormal de ganglióside nos neurônios e células gliais, fato que determina uma megalencefalia. Devido a megalencefalia o óbito ocorre geralmente no segundo ou terceiro ano de vida da criança.

Diagnóstico

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial deve ser feito para que a Doença de Tay-Sachs não seja confundida com outras patologias com quadro clínico semelhante. Através dos exames clínico, físico, laboratoriais e estudos radiológicos o médico pode excluir essas doenças, até chegar ao diagnóstico correto. As doenças  que podem ser confundidas com a Doença de Tay-Sachs na forma crônica são as seguintes:

Tratamento:

Médico especialista:  Neurologista.   Outros médicos especialista podem ser necessários, dependendo da sintomatologia, apresentada pelo paciente.  

Objetivo: As terapêuticas são desenvolvidas atualmente objetivando aumentar os níveis enzimáticos ou reduzir a síntese de glicoesfingolipídio. O tratamento para a Doença de Tay-Sachs permanece paliativo, pois é uma doença atualmente considerada sem cura.

Tratamentos paliativos:

Obs:  A utilização da terapia genética encontra-se restrita devido ao conhecimento limitado dos vetores e ao seu caráter terapêutico. Um melhor entendimento da fisiopatologia, aperfeiçoamento de vetores e melhor entendimento da farmacologia permitirão o desenvolvimento de sistemas de transferência genética mais efetivos. Muitos protocolos da  utilização da geneterapia encontram-se em curso, esperando-se nos próximos anos seus resultados clínicos.

Profilaxia


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