NEUROTOXOPLASMOSE


A Doença Toxoplasmose

A Toxoplasmose é uma doença sistêmica infecciosa causada por um protozoário intracelular que invade vários tecidos do organismo humano e também em várias espécies animais. É uma infecção que na maioria das vezes, quando é adquirida, ocorre de maneira assintomática, mas quando é adquirida  no período da gestação, pode provocar aborto espontâneo, como pode também causar lesões graves e sérias ao recém-nascido. A mulher dá a luz somente a uma criança com Toxoplasmose, pois os anticorpos se encarregam de evitar que  a doença se manifeste em outra gravidez. É uma doença que ocorre em animais domésticos como os gatos, cães, coelhos e  pombos, que estão sempre mais perto do homem. A Toxoplasmose se manifesta quando existe um grande número de células destruídas pelos protozoários,  causando uma hipersensibilidade no organismo. Nos indivíduos com a imunidade elevada, pode ser tratada ou regredir espontaneamente, entretanto em indivíduos com a imunidade comprometida a doença pode acarretar graves consequências.

Definição de Neurotoxoplasmose

A Neurotoxoplasmose é uma infecção no cérebro causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, responsável pela doença chamada Toxoplasmose. O estado de imunodepressão facilita a reativação da doença latente.  A infecção pode acometer o cérebro difusamente ou formar abcessos discretos. A Neurotoxoplasmose é considerada uma das principais causas de encefalite focal em pacientes com Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA/AIDS). A Neurotoxoplasmose é resultante de reativação de infecção latente, a qual apresenta uma alta taxa de morbi-mortalidade em indivíduos imunodeprimidos, se não for diagnosticada e tratada precocemente. A doença é um das manifestações clínicas menos comuns da infecção pelo Toxoplasma gondii, mas, manifesta-se como importante infecção neurológica oportunista entre os pacientes infectados pelo vírus HIV.

Sinonímia

A Neurotoxoplasmose também é conhecida pelos seguintes nomes:

Agente etiológico

Protozoário Toxoplasma gondii; pertencente à família Toxoplasmatidae; ordem Endodyococcida; subclasse Coccidia; protozoário intra celular obrigatório.

Incidência

·         Maior incidência em portadores do vírus HIV, com a contagem CD4+  abaixo de100/mm³

·         O risco estimado de reativação a nível de SNC, em pacientes com AIDS e infecção crônica varia de 12% a 40%.

Fonte de infecção

O gato é o principal responsável pela contaminação no homem e animais. O gato contrai a doença ao comer carnes cruas contaminadas por ratos ou pássaros infectados. Quando o gato contaminado elimina as fezes, ele pode infectar outros animais, inclusive o homem. A areia e o solo contaminados pelas fezes do gato, representam uma grande fonte de infecção. O gato pode eliminar por toda a sua vida os protozoários  pelas fezes.

Reservatório

Os gatos albergam o protozoário no trato intestinal; roedores, suínos, bovinos, ovinos, caprinos e outros mamíferos são hospedeiros intermediários do Toxoplasma gondii. Todos podem ser portadores no estágio infectante do protozoário, principalmente nos tecidos do cérebro e músculos. Estes cistos permanecem vivos por longos períodos, talvez em alguns casos, durante toda a vida do animal portador. 

Transmissão

·         Direta: Através do contato com animais infectados, principalmente gatos; inalação de oocistos presentes no solo. As transfusões de sangue e transplantes de pacientes contaminados também podem transmitir a doença, mas é raro. Transmissão congênita mãe-filho.

·         Indireta: A transmissão pode ocorrer devido à ingestão de carne contaminada com os oocistos ou cistos do protozoário, como carne de boi ou de porco. Pode ocorrer contaminação pela água (casos raros). 

Toxoplasmose e o HIV

A Toxoplasmose cerebral é uma das manifestações clínicas, causadas pelos toxoplasmas, em pacientes com HIV, apresentando-se com deficiências neurológicas focais, convulsões, alteração de consciência, cefaléia e febre. Como avaliação inicial, deve-se investigar todos os pacientes com relação à existência de anticorpos da classe IgC contra o Toxoplasma  gondii. Geralmente, a doença em pacientes com HIV é  conseqüência de uma reativação de infecção latente, no paciente com contagem de CD4+ abaixo de 100/mm³. A doença  disseminada pode envolver qualquer órgão. Nesses casos, pode ocorrer pneumonite, miocardite e coriorretiite, causadas por Toxoplasma gondii.

Sinais e sintomas

Fase inicial:

Casos graves:  Muitos dos sintomas abaixo são decorrentes do aumento da PIC (pressão intracraniana) e/ou do tamanho e da pressão do tumor dentro do cérebro.

Diagnóstico

·         Anamnese detalhada.

·         Exame físico.

·         Exame clínico.

·         Exames neurológicos.

·         Exames laboratoriais.

·         Testes sorológicos (pesquisas de anticorpos específicos contra os parasitas).

·         Testes virológicos (isolamento viral por inoculação em culturas celulares).

·         Pesquisa de anticorpos anti-T. gondii, no soro, líquor e saliva

·         Teste anti-HIV (ELISA).

·         Exame do LCR.

·         Reação de Sabin-Feldman.

·         Raio X do crânio.

·         Ressonância Magnética cerebral.

·         Tomografia Computadorizada cerebral com contraste.

Obs: A TC  pode detectar lesões hipodensas ou isodensas únicas ou múltiplas; calcificações; edema cerebral; atrofia cortical  e/ou subcortical; dilatações ventriculares; hemorragia cerebral; lesão com reforço por anel; desvio de estrutura por  efeito de massa e hidrocefalia.

 

        Lesões causadas pelos toxoplasmas

Os achados neurorradiológicos na sua grande maioria apresentam lesões múltiplas, localizadas em hemisférios cerebrais e núcleo da base com captação nodular do contraste.

A punção lombar está contraindicada em pacientes com sinais focais ou com lesões produzindo efeito de massa, especialmente na fossa posterior, devido ao risco de herniação transtentorial.

Uma biópsia cerebral deve ser considerada em pacientes que não tenham melhora clínica ou radiológica.

A presença de IgG anti-toxoplasma no soro não é marcador diagnóstico de Neurotoxoplasmose, porém sua ausência afasta em cerca de 92% dos casos a possibilidade de infecção.

O diagnóstico mais preciso para confirmar Neurotoxoplasmose deve ser baseado nos achados da TC, RNM e achados de IgG séricos.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial deve ser feito para que a Neurotoxoplasmose não seja confundida com outras patologias com quadro clínico semelhante. Através dos exames clínico, físico, laboratoriais e estudos radiológicos o médico pode excluir essas doenças, até chegar ao diagnóstico correto. As doenças  que podem ser confundidas com a Neurotoxoplasmose são as seguintes:

Tratamento

Médico especialista: Neurologista e Infectologista. Em algumas situações particulares o Neurocirurgião pode ser necessário.

Existe tratamento específico para essa patologia. O tratamento é medicamentoso. A combinação de medicamentos são bastante efetivos, na grande maioria dos casos, resultando numa involução das lesões e a melhora progressiva do paciente. As seqüelas das lesões neurológicas, em muitas situações não podem ser tratadas.

O tratamento e o prognóstico difere nos pacientes portadores com HIV ou não.

Tratamento medicamentoso: o de primeira escolha é feito com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico; o esquema alternativo é feito com clindamicina, associado  à pirimetamina e ácido folínico; a fase de ataque deve durar pelo menos três semanas. Dependendo da evolução outros medicamentos e medidas de suporte são necessários.

Corticoterapia: pode ser necessária depois de ser avaliado os riscos e benefícios. Caso seja necessário o corticóide mais utilizado é dexametasona por via intravenosa.

Prognóstico: Portadores de Neurotoxoplasmose com presença de calcificações intracranianas, meníngeas têm um prognóstico um pouco mais reservado.

Em pacientes com AIDS o desenvolvimento da Neurotoxoplasmose tem sido apontado como um fator negativo em relação ao prognóstico.

Em paciente soropositivos, a encefalite causada pelo vírus da Toxoplasmose, se não tratada levará o paciente ao óbito, em pouco tempo.

Na maioria dos casos de pacientes graves com AIDS e Neurotoxoplasmose ativa, o tempo de sobrevida é inferior a 12 meses. Geralmente, esse baixa sobrevida é consequência de um diagnóstico tardio.

O não uso de ácido folínico e o não uso de quimioprofilaxia para a Toxoplasmose apontam para maior risco de evolução para óbito.

Complicações

·         Hidrocefalia. 

·         Calcificações intracranianas.

·         Meningoencefalite necrotizante (caso gravíssimo).

Seqüelas

Prevenção


Dúvidas de termos técnicos e expressões, consulte o Glossário Geral.

Maiores informações sobre Toxoplasmose, consulte o Menu de Doenças Infecciosas e Contagiosas.

Maiores informações sobre Toxoplasmose Congênita, consulte o Menu de Doenças do Recém-nascido.